O Trader Descodificado

Exemplos reais de negócios nos mercados financeiros, ilustrados graficamente, efectuados por um trader não profissional !

A carta dos Doze e o Sr. Heinrich Brüning

Lê-se na imprensa de hoje que os Primeiros Ministros de 12 países europeus enviaram uma carta aos senhores Von Ronpuy e Durão Barroso, respectivamente Presidentes do Conselho Europeu e da Comissão Europeia.

Espanha, Inglaterra, Itália, Holanda, Suécia, Finlândia e outros cinco países, pedem expressamente àqueles senhores, alegadamente autoridades máximas da União Europeia, para intervirem no sentido de que sejam implementadas medidas para o crescimento e emprego.

Parece um grupo europeu insuspeito e heterogéneo, dado que há países com dificuldades orçamentais e outros com as finanças saudáveis. Mas todos com a mesma preocupação económica – a Europa não vai lá por este caminho. Sobretudo, se for só por este caminho.

Segundo consta, Portugal não faz parte da lista dos remetentes, convém referir, para que esta notícia fique completa.

Chegados aqui, importa rever uma figura pouco badalada nos dias de hoje – a do senhor Heinrich Brüning.

Quem foi Heinrich Brüning?

Foi Chanceler da Alemanha entre 1930 e 1932, por conseguinte no período que se seguiu à Grande Depressão de 1929 nos EUA, e antecessor de Hitler.

Economista de formação, cometeu, segundo historiadores da área económica, um erro trágico com sua política brutalmente deflacionista, consequência do seu único objectivo – eliminar o défice e instaurar um orçamento equilibrado, no cenário depressivo como foi referido acima.

Empurrou o país para as profundezas de uma recessão brutal, provocou desemprego em massa e é tido como uma das sementes do Nazismo.

Muitos discordaram de Brüning, e alegam que, em vez de asfixiar a economia, deveria ter injetado liquidez, mesmo aumentando os gastos para dinamiza-la. Outros apoiam porque ainda tinham na memória e o receio da inflacção de 1923.

A mim parece-me, e não sou economista, que ambas as visões são extremas e com resultados negativos. Mas aqui fica para possível discussão.

O certo é que a história teve um desfecho trágico. Mundialmente trágico. Que começou a desenhar-se com a dissolução do Parlamento Alemão pelo Presidente da República dada a dificuldade em fazer aprovar mais medidas brutais do senhor Heinrich Brüning. A ascensão de Hitler foi a seguir…

O resto da história já todos sabemos.

Viclion

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Grécia: acordo ou… Ground Zero?

Relativamente ao que escrevemos no artigo de Domingo passado 12/2 sobre o drama grego, e que está a condicionar os mercados nestes dias, pouco de substantivo há a acrescentar relativamente a um desfecho em concreto.

Porém há que realçar uma nuance importante – ouvimos agora alguns responsáveis europeus afirmar que um default grego até não seria nenhum desastre! Que a Europa está mais preparada para uma falência ordenada. Embora não expliquem como é que isso é…

Mas é de realçar que esta é uma ideia que começa a ganhar corpo.

Suspeito agora que se ocorrer um default grego, as ondas de choque poderão ser limitadas no tempo e o impacto nos mercados bolsistas nada de muito dramático.

E porquê? Porque a banca de investimento, o principal “receptáculo” do default grego, muito provavelmente será objecto de medidas que acomodem a eventual nova situação e que a esta hora poderão até já estar desenhadas pelo BCE, Mercozy e companhia.

Seja por uma musculada injecção de liquidez, seja por uma musculada intervenção nos mercados primários e secundários de forma a esterilizar os efeitos, ou outro bem escondido na manga, os decisores sabem que a referida banca de investimento é “too much to fail”.

Resumindo, uma Grécia numa espécie de Ground Zero, poderá até nem ser terramoto nenhum para os mercados

Excepto para milhões de gregos, cujo terramoto está garantido, seja por que via for.

A expectativa para amanhã 2ªFª 20/2 parece alta, os mercados poderão repetir a tendência positiva de 6ªFª passada. Porém, se o desfecho sair diferente daquilo que muita gente espera, e com o SP500 tecnicamente em zona de resistência e sobrecomprado, a reacção no vermelho não será surpresa.

Para os traders de curto ou médio prazo, se nada me está a escapar, a atitude prudente será esperar pelo desfecho desta 2ªFª ou dos próximos dias, dado que o tempo desta vez está realmente a esgotar-se.

Olhando para a evolução das últimas 5 sessões, vimos que foi mais na lateral do que na baixa, com sinais de “buy on dip” alimentados pelas expectativas e por alguns dados económicos encorajadores.

A serem correctas todas estas leituras de sentimento, teremos ingredientes suficientes para manter os mercados no sentido ascendente, faltando apenas ver se continua a consolidação actual antes de retomar o caminho de subida ou se corrige em primeiro lugar.

Isto é, ressalvando a ocorrência de algo verdadeiramente muito negativo nos principais roll-overs do 1T2012, Grécia e Médio Oriente (leia-se Irão).

Nota final para os mais fieis deste espaço: tenho vindo a prestar mais atenção ao mercado europeu, severamente castigado em 2011, mas que possui empresas de âmbito global a apresentarem boas equações risco/retorno. Ou seja, de vez em quando colocarei à discussão algumas ideias de trading nesta área.

Boa semana,
Viclion

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A Europa em suspenso pelo dracma grego…

Caros leitores,

No artigo da semana passada coloquei a hipótese do problema grego se arrastar por mais uma ou duas semanas. Adicionalmente, admiti estar confiante em que o ansiado acordo seria conseguido, nem que fosse no último minuto.

Ao mesmo tempo que escrevo estas linhas, o parlamento grego acaba de votar a favor de um conjunto de medidas de austeridade impostas como requisito fundamental para que possam receber mais um bailout e desta forma a evitar um default.

Porém o suspense só aliviará se, na reunião do Ecofin da próxima 4ªFª (se não houver mais um adiamento), essas medidas forem considerados suficientemente convincentes, não só no aspecto quantitativo como também quanto às garantias de implementação, dado que em Abril haverá eleições. E a história grega não é brilhante no que toca à execução pelo mesmo governo…

Pergunta: após aproximadamente as tais duas semanas, será que a questão fica arrumada, nem que seja por uns meses?

A meu ver a resposta é não.

À medida que os acontecimentos e as reacções populares se vão sucedendo naquele país, começam a avolumar-se duas ideias, a saber:

1º – Os cortes são qualquer coisa de dramático, a roçar a impossibilidade material/temporal e social, segundo muitos observadores de diversos sectores, conducentes a um forte agravamento da recessão já existente, e também do problema.

2º – A Sra Merkel toma decisões, Bruxelas toma decisões, o parlamento grego ratifica-as, porém falta ainda conhecer que decisão tomará a praça Sintagma. Receio que as imagens de hoje sejam apenas um “aperitivo”. Oxalá que isto seja apenas pessimismo meu…

Não sei dizer se o drama grego os conduzirá ao dracma. Mas a distância já esteve mais longe.

De novo a pergunta – como reagirá o mercado?

Não será surpresa se os mercados reagirem no verde. Também não será surpresa se, mesmo com a ratificação pelo Ecofin na 4ªFª, reagirem em modo “sell the news”.

O mercado está sobrecomprado, o SP500 roçou os 1350 pontos que apontei anteriormente como objectivo, e os pretextos para uma pausa para respirar não faltam.

A questão grega, as tensões no Médio Oriente (sempre com eterna a ameaça dos israelitas atacarem as instalações nucleares iranianas) e o consequente aumento dos preços do petróleo e, possivelmente, o despertar da complacência perante os resultados empresariais menos exuberantes que em trimestres anteriores e económicos a evidenciarem fraqueza, são motivos potenciais suficientes para uma correcção, que, em termos de probabilidade, não será pronunciada (5% nos índices?), como já tive oportunidade de argumentar anteriormente.

Para concluir: o conjunto de circunstâncias acima expostas levam a concluir que esta não será a melhor ocasião para aberturas longas.

Para não sermos apanhados do lado errado do mercado, monitorizar as posições existentes e/ou apertar stops poderá ser a opção. E a paciência também. As subidas serão a seguir…

Isto é, se o 1T2012 não for um desastre no que toca aos roll over de maturidades importantes (as mais volumosas deste ano) de Itália, Espanha e França, e a Grécia não cair no abismo, mantendo os restantes dados da equação iguais.

Boa semana, bons negócios,
Viclion, 12.02.2012, 23h55

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Esta prata valeu ouro!

Fechei ontem a última posição que detinha no XAGUSD à cotação de 34.30USD com uma mais-valia diminuta (1.7%, abertura 33.72USD), num negócio que se revelou muito muito acidentado.

Como se pode ver no gráfico, a cotação nunca atingiu os máximos de Outubro-Novembro passados conforme esperava (ver final do artigo de 23/1), tem tido um comportamento lateral/oscilante nas últimas sessões, o que pode indiciar um processo de consolidação ou até de correcção, a não descartar dado que tem tido uma correlação positiva com o mercado accionista, reagindo mais como commodity industrial do que como metal precioso.

Por outro lado não deixa de ser surpreendente verificar no gráfico dos futuros da prata (SIH2) que o open interest foi divergente com a subida de cotação verificada desde o início deste ano! “Mandam” as regras que se a cotação sobre e o open interest desce, mantendo o volume constante, isso é um sinal bearish.

Mais uma prova que a AT é um instrumento probabilístico e não uma bola de cristal…

De qualquer forma, foi uma prata que valeu ouro! Há que esperar agora pelo próximo sinal.

Viclion

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Atenas vs Bruxelas – enquanto a corda estica, mercados podem corrigir

A questão grega tem merecido neste espaço tratamentos diferenciados.

Há duas semanas atrás não referi o problema grego por lapso. Nos artigos seguintes o tom dos meus escritos não evidenciava grande preocupação pois estavam enviesados pela convicção de que o acordo estaria bem encaminhado (perdão e operação swap), embora apimentado com os habituais jogos de sombras em que os gregos mostraram ser especialistas.

Nestes dias mais recentes, incluindo este fim-de-semana, as notícias mostram que afinal as coisas estão bem mais difíceis, embora pessoalmente acredite que vai haver um acordo, provavelmente obtido em cima do apito final.

De entre todas as verbalizações noticiadas, aquela que parece mais surpreendente foi a do Sr. Juncker já admitir o cancelamento de novo bailout de 130M€ e falência da Grécia como a solução para as constantes manobras dilatórias gregas em aplicar medidas de saneamento financeiro sérias, sem as quais daqui a um ano ou menos estaremos de novo na mesma situação de hoje.

Acontece que, baseados em afirmações generalizadas de responsáveis europeus, especialmente de Merkel e Sarkozy, que asseguram que tudo farão para evitar um default, os gregos estarão implicitamente a fazer um jogo de sombras com a EU, fazendo de conta que aplicam as medidas da Troika, esperando que o “guito” continue a correr para os seus cofres.

Aparentemente, o Sr. Juncker terá dado uma resposta bluff e inteligente para tentar desarmar o bluff grego.

Por outro lado, nos meandros do governo grego e dos principais responsáveis políticos, haverá de tudo menos um acordo sobre a matéria. Houve até um ilustre que disse não ter ainda tido tempo para ler o acordo com a Troika, assoberbado que esteve com assuntos mais prioritários. Quem sabe, talvez jogar golfe…

Que implicações poderá isto ter para os mercados?

Como a próxima maturidade importante e crítica será, creio eu, em 20 de Março, existe a probabilidade das negociações se arrastarem ainda por mais uma ou duas semanas, acompanhadas por um crescendo verbal tendente a provocar a instabilidade e a incógnita. Coisas que o mercado detesta.

Daqui se infere a probabilidade de assistirmos a um pretexto para a correcção que referi há duas semanas, mas que não aconteceu ainda.

Mantenho que a correcção, a existir, não será significativa (5% no índices?), partindo do pressuposto de que se chegará a um acordo com os gregos e que os roll over de maturidades de Itália, Espanha e França durante este 1º trimestre não sejam um desastre.

A confirmar esta tese, poderemos a estar a atravessar uma fase de transição positiva no mercado, com implicações de médio prazo (meses).

Poderão perguntar: mas se a economia tem dado sinais mistos, o mesmo se tem passado com as empresas, com o guidance em alguns casos revisto em baixa, como poderão os mercados subir?

La Palisse responde: é o poder de antecipação. Há razões que só o mercado conhece…

Elementar meu caro Watson 

Boa semana,
Viclion

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Quer um rating? Faça você mesmo!

Caros leitores,

Finalmente a democracia chegou aos ratings!

Doravante, o caro leitor poderá avaliar o que muito bem lhe apetece – dívidas soberanas, empresas ou produtos financeiros estruturados. Basta clicar no link abaixo, ler “How Does it Work” e toca a avaliar.

Como sugestão de treino, pode começar por nomes como: Fitch, Moody’s e outros muito simpáticos. Parece brincadeira mas é coisa séria e transparente!

Vá, não deixe para amanhã o que pode fazer hoje…

http://www.wikirating.org/wiki/Main_Page

Viclion, 30.01.2012

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Dizem que os mercados vão desabar. O “Golden Cross” não pensa assim. O “January Barometer“ também não…

Socorro-me de um artigo da Reuters deste fim-de-semana cujo comentário de mercado se caracteriza por uma abordagem muito “Made in USA” que é o de referir dados estatísticos do SP500 para tentar inferir probabilidades.

Recordam no referido artigo que na passada 2ªFª se deu uma “Golden Cross”, o cruzamento no sentido ascendente da MM50 sobre a MM200, facto que representa uma tendência “bullish” de médio prazo.

Ainda no mesmo artigo, as estatísticas mostram que nos últimos 50 anos e em 80% dos casos, estas ocorrências produziram um ganho médio de 6.6% nos 6 meses seguintes. Por conseguinte, um aspecto prometedor.

Por outro lado, com Janeiro praticamente no fim, o saldo mensal positivo será um dado adquirido e só uma ocorrência em larga escala poderá inverter. Isto transporta-nos para o conhecido “January Barometer” que nos diz “assim como vai Janeiro, assim será o ano”. Outro aspecto prometedor.

Para os investidores tipo “buy-and-hold”, com uma perspectiva de médio prazo, estes dados estatísticos são amigos, tal como a tendência o é, segundo a AT.

Não vou tocar no “Presidential Cycle” que diz que no ano 1 da eleição presidencial, o mercado tem sido habitualmente forte. Se não estou a ver mal as coisas, a próxima eleição por si só não deverá ser um “market mover” significativo – Obama provavelmente ganhará por falta de comparência de séria concorrência.

Tomando o pulso aos acontecimentos recentes, verifica-se que os resultados empresariais têm oscilado em grande parte entre o “em linha” e o “abaixo do esperado” (coerentes com alguns “profit warnings” em finais do ano passado), o mesmo se passa com os dados económicos principalmente nos EUA, o SP500 estremece aqui e ali, mas tem prosseguido a trajectória até aos 1350 pontos – a próxima meta.

Por outro lado, vemos que se há algum tempo atrás os “downgrades” soberanos (ou as simples ameaças) produziam nos gráficos o mesmo efeito de um terramoto num sismógrafo, agora quase não se dá por isso. Alguém consegue identificar no gráfico horário do EURUSD a que hora a Fitch publicou o downgrade colectivo de Itália e outros na passada 6ªFª?

Além disso, os eventos Merkozynianos ameaçam entrar na rotina…

Vamos aos aspectos práticos.

No referido artigo, é apontada a probabilidade de sucesso o investimento se o mesmo for direccionado para as grandes capitalizações.

Eu acrescentaria porém uma outra hipótese direccionada para quem, a par da sua actividade profissional e não podendo acompanhar hora-a-hora o mercado, está disposto a correr um risco acrescido na expectativa de uma melhor remuneração, suavizado com alguma diluição desse mesmo risco – o investimento em ETF’s.

Temos disto para todos os gostos e moedas.

Temos ETF’s que replicam índices, outros que replicam sectores, e outros mercadorias. Por moedas, basicamente temos o EUR e o USD. Por emitentes comercializados em Portugal temos principalmente Estados Unidos, França e Alemanha.

Apesar de estar mais habituado ao mercado americano, uma aposta na moeda EUR que nos evita o risco cambial, em instrumentos que replicam índices europeus e sectores europeus com exposição global (materiais, infra-estruturas, indústria e até a banca), parecem-me hipóteses a considerar naquela perspectiva.

As empresas europeias foram duramente castigadas nos últimos meses de 2011, e sabemos que tudo (ou quase…) o que desce acaba por subir.

Como referi num artigo anterior, o primeiro trimestre de 2012 será o teste do algodão. A forma como decorrer o roll over das principais maturidades de Itália, Espanha e França, irá determinar os meses seguintes. Algum ruído é espectável e, se não ocorrerem surpresas muito negativas, poderá constituir uma oportunidade para entrar.

Um dado merece atenção – os holofotes a pouco e pouco incidem sobre Portugal com a mesma intensidade com que o fizeram sobre a Grécia. Analisar a forma como reage o mercado será importante.

*** VENHO CORRIGIR UMA MÁ TRADUÇÃO ***

O artigo da Reuters contem uma parte mal traduzida.

A referida “Golden Cross” não ocorreu na passada 2ªFª como escrevi, mas tal hipótese poderá acontecer hoje 2ªFª dia 30/1, de acordo com o artigo.

Obrigado ao leitor que identificou o erro.

Boa semana,
Viclion, 29.01.2012

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E para a próxima semana… os ingredientes do costume e não só!

OLHEMOS A SEMANA ANTERIOR PELO RETROVISOR

Recordo que a semana passada começou sob forte expectativa em virtude do famoso downgrade colectivo que a S&P nos “ofereceu” na 6ªFª anterior – 6 países em vez dos 15 que estavam “pendurados” desde finais do ano findo.

Tivemos então as emissões de França, Espanha e do FEEF, que não sendo espectaculares também não foram más e serviram para desanuviar o ambiente. As atenções viraram-se para os resultados das empresas e, como estes não desiludiram em termos gerais, as bolsas subiram.

Ou seja, funcionou o “plano B” daquele esboço de “análise técnica ao sentimento de mercado” que escrevi no artigo de Domingo passado 15/1.

No entanto, houve um outro pormenor a suportar o sentimento “bullish” – o balanço entre os depósitos e levantamentos bancários junto do BCE inverteu a tendência recente e pesou mais para o lado dos levantamentos, acompanhado de forte volume. Indício de que a banca terá utilizado a liquidez a 3 anos disponibilizada recentemente pelo BCE para ir ás compras.

Outro pormenor a salientar, aliado ao anterior – a banca utilizou liquidez cedida a 3 anos mas comprou igualmente dívida com maturidades superiores.

Dito de outra forma – parece apostar que o mercado da dívida poderá estar a ensaiar um fundo ou consolidação, contrariamente àquilo que é profetizado por alguns “opinion makers” que prevêem a Europa no fundo do mar… (a recente crónica de John Mauldin em Seeking Alpha é um apocalipse perfeito!).

Tivemos nova ameaça, agora por parte da Fitch, mas absorvida pelos mercados sem sobressaltos, o que indicia que o respeito pelas agências de rating já terá tido melhores dias…

Oxalá que este filme não seja ficção!

OLHEMOS AGORA PARA A FRENTE

Convém no entanto não misturar estes ingredientes – Grécia, Portugal e, em certa medida, Irlanda, jogam (ainda) no campeonato de alto risco.

A Irlanda, apesar do sucesso inicial, ainda é assunto longe de estar resolvido. Notícias recentes especulam sobre o agravamento das contas. Assunto a escrutinar.

A Grécia aparentemente progride bem na discussão do novo “hair cut”, “voluntário” como se sabe, que tenta posicionar a dívida em 120% do PIB desde os actuais 160%, complementado por uma operação swap para maturidades mais longas e juros mais amigos no remanescente. Se estas negociações falharem, a Grécia irá certamente incumprir com a bagatela de 14B€ já em Março. No entanto, as notícias deste FdS são optimistas.

Portugal, tal como referido num artigo recente do FT AlphaVille, obedece ao mesmo padrão grego no que toca ao comportamento do mercado dos CDS’s comparado com a evolução das yields. Enquanto estas teimam em subir no mercado secundário, a venda de CDS’s tende para zero. Facto que indiciaria uma fuga da nossa dívida por parte do “big money”. No entanto, a nossa emissão de 4ªFª passada teve um bid-to-cover bem melhor que o esperado, juros inferiores a 5%, suportado por compradores estrangeiros, o que contradiz o parágrafo anterior. Assunto a escrutinar.

Mais uma vez, oxalá que o filme tenha um final feliz! Bem precisávamos para colocar a volatilidade em níveis mais simpáticos.

Outro ingrediente para esta semana é a campanha de resultados que vai em crescendo. O que temos visto até agora são resultados na sua maioria em linha ou acima das previsões, mas convém não perder de vista que a fasquia está baixa. O sector bancário esteve em foco, houve surpresas negativas, (GS, BNY) mas não suficientes para arrefecer os “bulls”.

Para esta semana, dos EUA, temos alguns emblemas fora da área financeira – Apple, Boeing, Caterpilar, Mcdonalds, Ford, MMM, Texas Instruments, entre muitos outros.

AGORA O “NOSSO” SP500

Tem ido bem obrigado, apesar de pouca gente ter participado na “festa”. O objectivo dos 1350 pontos que referimos em artigo recente está mais perto, no entanto convém não facilitar a guarda dado que está “overbought” nos gráficos semanal e diário.

O “NYSE Summation Índex” (um “breadth indicator”) no gráfico semanal, atingiu e ultrapassou o objectivo de curto prazo que referimos em meados de Dezembro, agora quase nos 811 pontos, e encontra-se “overbought”.

O índice do medo VIX, igualmente no gráfico semanal está nos 18.28 pontos, dentro do objectivo referido em meados de Dezembro, e encontra-se “oversold”.

Em resumo, os 3 parágrafos anteriores sugerem a probabilidade de uma correcção técnica, ainda que de muito curto prazo.

Para esse efeito, alguns resultados de empresas abaixo do esperado, poderão ser uma boa desculpa para o mercado entrar em modo vendedor, até ao próximo fôlego até as 1350 pontos.

O leitor poderá socorrer-se do artigo que referi e conferir estes desenvolvimentos. Não vou colocar nenhum gráfico sobre este tema, porque a próxima dedicatória será “prateada”!

UMA MIRADA NO GRÁFICO DIÁRIO DA PRATA

No gráfico abaixo a prata (XAGUSD) sugere um sinal “bullish” mais vincado.

Na passada 6ªFª disparou mais de 5%, acabando por violar a “neck line” do “head & shoulders” de Outubro a Dezembro. Se nos socorrermos do gráfico dos futuros da prata como um “proxy”, não vemos o volume diário a disparar (transacciona 24h) mas encontramos um volume significativo no gráfico horário durante o disparo, o que sugere algum apoio.

Por conseguinte, o XAGUSD poderá estar encetar um caminho de subida, cujo próximo objectivo serão os máximos de Novembro.

Ocorreu-me que este tema da prata poderá ser simpático aos olhos do Quico (blogue “O Investidor Inseguro”).

Por fim, alguns sinais no gráfico representam os meus 2 últimos negócios, sendo que no último fui particularmente feliz dado que o tinha aberto a posição na véspera 19/1. Optei por retirar mais-valias no final da sessão de 6ªFª 20/1, dado estar overbought no curtíssimo prazo (1~2 dias). Voltarei a entrar após a esperada retracção, se os sinais assim o apontarem.

Outro aspecto a verificar é a evolução comparativa entre o ouro e a prata, através do XAUXAG. De novo no gráfico diário, a tendência parece desenhar-se para uma valorização mais acentuada na prata do que no ouro. Porém ainda será cedo para conclusões.

Boa semana,
Viclion, 23.01.2012, 0h30

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Dívida portuguesa – leilões simpáticos, mercado secundário nem por isso…

Caros leitores,

Muito tem sido comentado sobre os recentes leilões e yields da dívida pública nacional. Porém, em termos gerais, aquilo que se passa no mercado secundário não “bate certo” com o tom de optimismo dos ditos comentários.

Vejam o link abaixo. Nele poderão analisar a evolução do mercado dos CDS’s gregos e portugueses comparado com as respectivas yieds do mercado secundário. Prenúncio de algo mau?

http://ftalphaville.ft.com/blog/2012/01/19/840851/greek-lessons-for-portugal/

Viclion, 20.12.2012

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Portugal – CDS em alta!

Caros leitores,

Não se precipitem, o título acima refere-se aos Credit Default Swaps de Portugal! Os CDS a 5 anos estão em máximos de sempre nos 1249.5 pontos, e em modo de breakout.

Coisa um tanto ou quanto feia… Vamo-nos ver gregos com isto…

Vislion, 18.12.2012

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